Melancolia e euforia são os ingredientes principais do novo disco de Antonio Neves

O músico Antonio Neves acaba de lançar novo disco. Chamado “Pa7”, ele ousa em misturar o seu instrumento principal, o trombone, com as batidas do funk e o gingado do samba. Lançado pelo selo RockIt!, o disco está disponível para audição gratuita no Bandcamp, e conta com elogios de Domenico Lancelotti, que envio ao fim do e-mail, após o release de divulgação do lançamento.

Quem disse que lugar de trombone é na orquestra? Contrariando o senso comum, o instrumento retorna renovado no álbum de estreia de Antonio Neves, que une funk e samba em músicas alegres e também melancólicas. O disco chamado “Pa7” foi montado como a trilha sonora de um filme dirigido por Antonio, que mostra ao público a nostalgia de momentos que viveu, de pessoas que conheceu e os lugares que visitou. Enquanto as melodias trazem melancolia, os arranjos e timbres explodem em euforia. Com sete faixas, o disco está disponível para audição gratuita no Bandcamp via selo RockIt!.

Ouça “Pa7”:

Experimentando pela primeira vez estar à frente de um projeto, Antonio Neves é figura recorrente na cena carioca desde 2007. Compositor, trombonista e baterista, ele já tocou junto de nomes como Elza Soares, Hamilton de Holanda, Leo Gandelman, Ney Matogrosso, Alcione, Edu Lobo, Eduardo Neves, Gabriel Grossi, entre outros. Em 2016 fez parte da banda Natiruts e acumula passagens por países como Cabo Verde, Bogotá e Portugal, além de apresentações em palcos como Circo Voador (RJ), Teatro Castro Alves (BA), Teatro Municipal de Niterói (RJ), Teatro Rival (RJ), Teatro Municipal de Manaus (AM) e Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ).

 

O álbum é dedicado ao trombonista brasileiro Roberto Marques, falecido este ano, e que atuou com artistas como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Simone, Alcione, Martinho da Vila, Nelson Gonçalves, e ainda, Julio Iglesias. O nome inusitado do disco vem de uma brincadeira feita entre Antonio e seus amigos, em que a palavra “parceiro”, se torna “Pa7”. No disco, o músico é acompanhado pelos músicos Joana Queiroz (clarone), Pedro Dantas (contrabaixo), Gus Levy (guitarra), Danilo Andrade (teclado), Lodo e Pedro Fonte (percussão) e Eduardo Neves (sax soprano).

 

Essa grande equipe, também é uma grande família de amigos. “Escolhi esses músicos por uma questão de afinidade não só musical. São grandes amigos, recentes e antigos, todos músicos geniais. Além de tocar perfeitamente o que ‘estava escrito’, trouxeram personalidade e novas ideias para o Pa7”, elogia. Completam a equipe de produção do disco José Feijó (capa e diagramação), Ana Frango Elétrico (ilustração interna), Kayan “Kaweiras” Guter (técnico de gravação) e Martin Scian (mixagem e masterização).

O álbum chega aos serviços de streaming por meio da RockIt!, que em 2018 comemora 25 anos movimentando o cenário musical com lançamentos inovadores. Fundado por Dado Villa-Lobos, o selo lança ainda neste ano “Exit”, novo álbum do próprio Dado; e “Musical Porém”, de Marcelo Callado.

Conheça o faixa-a-faixa do disco “Pa7”, por Antonio Neves:

Melhor Assim: A primeira faixa é o início da viagem. Como se a nave estivesse decolando. Começa com sintetizadores e as melodias graves do clarone com trombone culminando no final do arranjo cheio de efeitos e percussões.

Mandala: É a música mais antiga do álbum. Feita em meados de 2012 quando integrava o conjunto Nova Lapa Jazz, que enchia as ruas com mais de mil pessoas todas as quartas-feiras na Praça Tiradentes (RJ). Foi a faixa escolhida para fazer o clipe dirigido por Naína de Paula.

Uh-Ah: É uma viagem pelos lugares onde passei. As amizades que fiz. Toda a confusão da vida de quem anda na noite.

Pressão Alta: Foi composta enquanto morava com meu pai. Quase como se fosse uma discussão entre nós dois por não ter apagado a luz ou ter deixado a porta aberta.

Terra crac: É a música mais recente. Minimalista com um toque de maldade foi composta para Naína e o terraço onde morava em Copacabana.

Rua Pires de Almeida: É uma rua em Laranjeiras onde passei muito tempo da minha infância. Escutei lá muita música graças aos meus avós Paulo e Menena. Também traz uma nostalgia da infância de quando brincava na praça com meus primos.

Valsa Bicicross: Encerra o álbum. Foi composta para minha mãe Lúcia Vignoli.

A convite do Estevão Casé, produtor, técnico de som, músico, meu parceiro na Meia Banda e atualmente o gestor do selo Rock it junto a Dado Villa-Lobos, escutei, nas poderosas caixas de som do estúdio o disco do extraordinário músico Antonio Neves, bem ali, na sala de comando da Rock it, que gravou e lançou tantos discos incríveis, em plena contra maré da crise atual que nos assola.

E gostaria de dizer, sem exagero algum de minha parte, pois sou conhecido por me empolgar com as coisas de que gosto, esse disco é um acontecimento da maior relevância.

Pa 7, o nome do álbum de música (dita) brasileira instrumental, e talvez seja classificado assim nas prateleiras virtuais, é de uma beleza singular, vinda de uma mente livre, inundada de som.

É natural que músicos bons produzam discos bons.

Mas ao mesmo tempo é raro acontecer (mais raro ainda num primeiro disco), tanta coerência e precisão de estilo, falo da excelência dos músicos, das composições, dos arranjos, a peculiar instrumentação que transcorre as 7 faixas, e também da maneira com que estas foram gravadas e mixadas pelo engenheiro de som argentino, residente no Rio, Martin Scian em seu estúdio.

Um primor que nos leva a uma experiência única dentre os discos de um gênero tão importante, mas que tão facilmente pode desabar num emaranhado técnico e sem graça.

Acontece que Antonio Neves é baterista, e o disco tem a liberdade dos discos de bateristas, o humor, a criatividade. Mas também acontece que Antonio é trombonista, e nos arranjos de sopro, tão marcantes em todas as faixas, constrói-se uma sonoridade mais escura, explorando regiões graves de instrumentos graves como o elegante clarone da Joana Queiroz, os trombones que são às vezes pontuados por sintetizadores e teclados de Danilo Andrade, o baixo do Pedro Dantas, as guitarras maldosas do Gus Levy e pasmem, sax soprano, tocado pelo grandioso Eduardo Neves, músico que desde muito jovem, prodígio nos instrumentos de sopro, tendo entrado para a célebre banda do Hermeto Pascoal aos 25 anos de idade, e hoje, além de ter colaborado com o que há de melhor na música brasileira
é o pai do Antonio.


É fácil imaginar a casa cheia de música, e é bonito perceber a rica formação musical do Pa 7.


Os almoços de domingo ao som de Moacyr Santos, Hermeto, feriados, dias santos com Dom 1, os discos americanos de Airto Moreira, Jobim, Azimuth, e nos dias normais de trabalho muito samba, choro, jazz, dentro e fora da casa.

Mas na verdade isso não importa, é apenas lenha pra fogueira que abrange também muitas coisas da contemporaneidade e outras coisas caras a contemporaneidade:


1- Melhor assim

2- Mandala

3- Uh Ah
4- Pressão Alta

5- Terra Crac

6- Rua Pires de Almeida

7- Valsa Bicicross.

Todas de autoria do Antonio.

Esse fogo que citei é de movimentos sinuosos, ora intenso, ora abrandado, mas além da luz que emana, também possui uma calma semelhante a de um surfista que domina o ofício de surfar e vem desenhando, costurando, curtindo, reinventando a onda do tempo.

Mas não se iludam não!
Antonio Neves é maluco.
Vai ver é por isso.

Domenico Lancelotti

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