Vitrolaria, uma loja de vitrolas antigas

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O som da agulha riscando o disco de vinil, soando frequências graves e agudas, que escapam ao MP3, é incomparável. Essa é a afirmação de que muitas pessoas que procuram nas vitrolas novas (velhas) experiências musicais. Um movimento que vai muito além da onda retrô e o acesso a memórias afetivas, é o momento de ouvir um LP quase um ritual. Foi em meio a esse universo que a publicidade Leila Coimbra, de 38 anos, foi criado ?Vitrolaria?, loja especializada em venda em aparelhos mais antigos, que se estica, se recupera e se anuncia nas redes sociais.

Tudo começou em porões e garagens empoeiradas dos bairros da cidade de Poços de Caldas, cidade do sul de Minas Gerais, onde Leila buscava objetos antigos, especialmente vitrolas e discos para ouvir em casa. Quando os amigos estavam sabendo dos resultados, começaram a procurá-lo para pedir-lhe informações sobre a compra desses toca-discos antigos, já que com o passar dos anos, muitos acabaram tendo só os discos, sem ter onde ouvi-los. ?Estes pedidos foram tão recorrentes que vi o potencial para uma empresa legal, diferente: pesquisar vitrolas antigas funcionando, mas está em desuso para vender?, contou.

E deu certo. Desde que o projeto começou, há pouco mais de três meses, a Vitrolaria já somam mais de uma dezena de vitrolas. Nos três primeiros dias, recebeu mais de 30 ofertas por um Philips 503 amarela. Mas, a rotina entre feiras de março, mercado de pulgas, e uma série de oficinas na periferia de Poços e outras cidades, ainda continua sendo a principal e a mais prazerosa de atividade empreendedora. ?É assim que eu vou chegando a várias vitrolinhas lindas?, disse ele.

 

Mas nem tudo foi fácil. Nem todas as vitrolas encontradas por Leila em pesquisas realizadas em oficinas, lojas de antiguidades pessoais e feiras estavam funcionando, pelo contrário, a maioria estava danificado, mas com uma boa aparência. ?Foi aí que surgiu meu primeiro grande problema deste pequeno negócio. Não entendo nada de eletrônica. Sou de humanas, desde que nasci. Apesar da certeza de que o negócio poderia dar certo, soube que teria que aprender a arrumar as vitrolas, mas como?” perguntou a Leila.

“Além de muito estudo e dedicação que eu teria que ter, saí em busca de um eletrônico e esbarrei em um problema novo: apenas as pessoas mais conhecem e sabem consertar vitrolas e há muito poucos que ainda estão dispostos, já que é algo que demanda trabalho e tempo. Eu procurei por algum tempo e depois de algumas recusas, me indicaram um senhor que talvez arrumasse. Foi um encontro de destinos, mas ele me fez jurar segredo: ?se você conta com alguém que eu reparo dessas velharias, nem precisa mais voltar aqui?. E assim nasceu uma amizade que me ajudou a recuperar mais de 20 vitrolas em um mês e vender algumas?, divertido-se a empreendedora, ao recordar a história.

Com muita insistência ? e a promessa de manter a identidade do eletrônico secreta ? Leila conquistou com ele, a oportunidade de, duas vezes por semana, aprender a recuperar as vitrolas e, assim, poder continuar com o trabalho e continuar com a Vitrolaria, de forma mais autónoma.

Para Leila, o ?a mineração? as vitrolas é a parte mais divertida do hobby que se tornou também um trabalho. ?É muito emocionante sair em busca de algo, mas não saber o que vai aparecer, qual tipo de aparelho eu vou encontrar, se você está muito danificado, se vamos encontrar peças para a reparação, em fim. E é maravilhoso quando me encontro com um computador antigo, mas muito bem conservado. É muito bom também conhecer alguns ?idosos? de bem com a vida, que tem várias raridades na garagem de casa. É fantástico?, relatou.

As memórias afetivas também são estimuladas com a restauração e venda de vitrolas antigas. ?Eu amo quando eu ouço ? e ouço muito ? as pessoas falando: nossa, vi a foto da guerra x e no momento me lembrei do meu pai, do meu avô. Já me relataram situações familiares lindas, que me deixam muito feliz com o que estou fazendo. É também uma forma de conhecer e encontrar histórias?, concluída.

 

Ouvir discos como o prazer e não só o seu negócio

Além disso um negócio ? fabricação de discos de vinil, os famosos Lp (long play) cresce em torno de 60% por ano, de acordo com a Polyson, a única fábrica do produto na América Latina – Leila tem investido ?Vitrolaria? como uma forma de encontrar outros amantes dos bolachões, com o fim de compartilhar juntos bons momentos ouvindo canções nas vitrolas antigas.

De acordo com Leila, atualmente, a faixa de idade do público que procura ?Vitrolaria? é de pessoas com idades entre 25 e 37 anos. ?Não são as pessoas de mais idade e nostálgicos, como se poderia imaginar. Meu público é 100% jovem. Vejo aí uma busca por um estilo de vida mais retro, vintage?, disse ele.

Além do prazer na recuperação de vitrolas e ouvir os discos deles, há também, segundo explicou Leila, o impacto social do projeto, que está ligado ao consumo consciente e a sustentabilidade. ?Por que comprar um produto novo se podemos recuperar? Se conseguir por para funcionar de uma guerra antiga? Isto evita que seja produzido mais lixo para o mundo, fora da economia, porque uma guerra nova custa a partir de R$ 700 e, em ?Vitrolaria? temos a partir de R$ 250?.

Como a demanda dos aparelhos cresce de forma exponencial, Leila pensa em desenvolver um site com venda direta, apesar de encontrar a relação, até então, interessante. ?As pessoas me descobrem no Instagram, nem me conhecem, tomam a minha conta bancária e fazer o depósito na base da confiança, como era antigamente, quando as vitrolas foram fabricadas. Vejo que a internet facilita as relações?.

Depois disso, o envio é feito por e-mail, mas não sem muito carinho: ?normalmente tiro da agulha, que é muito fácil de quebrar, e o impulso separadamente. Depois, coloco plástico bolha na guerra, que é para ela estar bem protegida. Em seguida, coloquei em uma caixa de papelão e segue para os Correios. Até agora, todos chegaram bem e olha que seguiram para Palmas (TO), Recife (PE), Maringá (PR), entre outros destinos mais próximos.? Recentemente chegou até a entrega em mãos para o músico mineiro Emmerson Nogueira.

SERVIÇOVitrolariawww.instagram.com/vitrolaria